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14/12/2018

Quem melhor do que um escritor renomado, que já visitou e morou na cidade e, ainda, escreveu um livro a respeito dela, para nos dar as melhores dicas sobre a capital italiana? Airton Ortiz preparou uma crônica inspiradora e exclusiva para lembrar você de participar da promoção “Roma Inesquecível” do Zaffari Card e Bourbon Card. Confira!

Há três Roma, creia-me: a dos romanos, a dos italianos e a dos papas. Três culturas em uma mesma cidade, tudo ali, ao alcance de uma caminhada. Mas é preciso começar por algum lugar. Então, vá por mim: comece Roma pelo monte Palatino, onde a própria cidade começou.

Otávio venceu Marco Antônio e se tornou Augusto, o primeiro imperador romano; iniciava-se uma nova era no Mediterrâneo. Ele construiu sua mansão no Palatium, onde morou a vida toda. A suntuosa residência do imperador se tornou conhecida como palácio. E o nome se espalhou pelo mundo.

A Domus Augustana (residência do imperador) tinha dois andares, os quartos voltados para um pátio interno. Há alguns anos foi descoberta, abaixo da construção, uma caverna. Seria onde Rômulo e Remo foram amamentados por uma loba? Dizem que sim.

Alguns anos depois os rapazes brigaram e Rômulo matou Remo. Para se livrar de tamanho remorso, Rômulo deu à futura cidade o nome de Roma. Tutti buona gente, já naquela época.

No topo do Palatino, algo especial: uma fantástica vista de Roma. Começa pelo Coliseu, ali embaixo ─ e o Phanteon, as Termi di Caracalla e a Via Appia Antica com suas catacumbas um pouco mais adiante ─, e se vai pela cidade moderna. Na linha do horizonte, a silhueta de uma das mais vibrantes capitais do mundo.

Começo a Roma dos Italianos pelo Caffè Sant’Eustachio, uma instituição romana. Peço um gran caffè, considerado o melhor da cidade; feito na hora. Desde quando o milanês Luigi Bezerra inventou a máquina para fazer café expresso os italianos se gabam de fazerem o melhor café do mundo; embora o país não plante um único pé. Eles compram o grão do Brasil ainda verde, a torrefação sendo feita na Itália.

São as curiosidades de Roma, como a Bocca della Verità, uma escultura representando um rosto humano com buracos nos lugares dos olhos, nariz e boca. Na Idade Média, os maridos levavam as esposas ao local, faziam-nas colocarem a mão dentro da bocarra e lhes enchiam de perguntas, em especial sobre fidelidade. Se elas mentissem, teriam a mão engolida. Muitas confessavam.

A história correu mundo com A princesa e o plebeu, filme dirigido por William Wyler e estrelado por Gregory Peck e Audrey Hepburn. Ainda hoje quem colocar a mão na Boca da Verdade e disser alguma mentira terá os dedos decepados. Sim, é verdade, há sempre uma fila a sua frente, gente do mundo todo; como eu.

(obs.: saí ileso!)

A grande Piazza Venezia ─ com os imponentes Palazzo Venezia e o Il Vittoriano ─ é um dos pontos centrais da capital. Ali se iniciam algumas das suas maiores avenidas, como a Via dei Fori Imperiali, em direção ao Coliseu, a Via del Plebiscito, em direção ao Centro Storico, e a Via del Corso, a principal da cidade, em direção a Piazza del Popolo, no portão norte de Roma.

A avenida segue o curso da Via Flaminia, estrada do século II a.C., por onde voltavam as legiões vindas do Norte. Cruzavam o antigo Campo de Marte e a atual Piazza Venezia e entravam no Fórum Romano, onde os generais proclamavam a glória de Roma diante do imperador.

Percorro um dia entretido com o que de mais interessante há na cidade sem deixar a Via del Corso. A começar pela Galleria Doria Pamphilj, com obras de Rafael, Tintoretto (último grande pintor da Renascença italiana), Caravaggio (considerado o enfant terrible do barroco, ele trocara a beleza ideal pela beleza real) e Bernini.

A Via del Corso finalmente chega à Piazza del Popolo, palco de execuções pública durante séculos. A primeira capela da atual Chiesa di Santa Maria del Popolo foi construída no século XI para exorcizar o fantasma de Nero; ele andava assombrando a região. Havia sido enterrado secretamente no local e voltara para uma vez mais atazanar a vida dos cristãos. Esse Nero nunca se endireitou, nem depois de morto.

Reformada no século XV, é uma das mais ricas igrejas renascentistas de Roma. A estrela da casa é a Cappella Cerasi, com duas obras-primas de Caravaggio: Conversione di San Paolo e a Crocifissione di San Pietro.

Tomo um café no Rosati, frequentado pelos grandes intelectuais de esquerda da Itália, como os escritores Italo Calvino e Alberto Moravia. No outro lado da praça, o café Canova era onde o pessoal da direita bebia seus cappuccinos. No lado oriental está o Parco di Villa Borguese. A partir dali se prolonga a cidade moderna, um emaranhado de avenidas e edifícios sem a menor importância.

Na Fontana di Trevi a água cristalina, que jorra sem parar, é abastecida pelo Acqua Vergine, um aqueduto subterrâneo do século I a.C. Um dos lugares mais visitados em Roma, as pessoas se detém para seguir a tradição de jogar uma moeda e assim garantir sua volta à cidade.

Admirada a água e os monumentos aquáticos, hora de partir para o vinho e seus terroir. A poucos metros da Fontana di Trevi está a Vineria Chianti, uma osteria (taverna de vinhos que serve comida) com uma grande variedade de vinhos. A cozinha é toscana, baseada em carnes, e o chef me sugere bistecca alla fiorentina.

No vasto cardápio, dividido pela IGT (Indicazione Geografica Tipica) opto por um Gallo Nero, o Chianti Fiorentino, vinho toscano feito com predominância das uvas Sangiovese. La vita è bella.

Perder-se distraído pelas vias de Roma é revisitar séculos de história. Mas qualquer passeio só fica completo se entrarmos numa igreja. Não só para rezar, mas para ver suas obras de arte. Há muitas formas de se prestar culto a Deus. Pode-se admirar o criador pela criatura.

No Monte Esquilino, um bairro antigo bem moderno, está a Basilica di San Pietro in Vincoli, onde se pode ver a estátua de Moisés, a obra-prima de Michelangelo. Ele mesmo a achou tão perfeita que ao concluí-la bateu com o cinzel em um dos joelhos e a mandou parlar.

Um pouco ao norte da Stazione Termini está a Chiesa di Santa Maria della Vittoria, onde o divino toca o humano, o espírito se funde à matéria. A igreja chega a ser modesta diante dos padrões romanos, o que a torna pouco visitada. Para azar dos apressados: ela hospeda a imagem de Santa Teresa trafitta dall’amore di Dio, magistral escultura de Bernini, toda em mármore branco. Considerada a maior obra-prima do barroco, cultuá-la é quase uma reza, admirá-la nos eleva o espírito.

O Centro Histórico de Roma não foge à tradição das velhas cidades europeias: um labirinto de vielas de paralelepípedos com seus palácios renascentistas, igrejas barrocas, bares descolados e mais uma infinidade de monumentos, museus e bons restaurantes. Além de alguns dos mais famosos ícones da capital, como a Piazza Navona.

Ali perto já é possível encontrar bares de qualidade, como o Etabli, na Vicolo delle Vacche. Apesar de estar no Beco das Vacas, faz aquele estilo rústico-chique onde as pessoas elegantes da outrora caput mundi vão bater papo e tomar um aperitivi no final da tarde. Mesmo Roma não sendo mais a capital do mundo, a tradição do aperitivo continua. Peço um Bellini, um dos meus drinques preferidos. Era também de Ernest Hemingway e Truman Capote. Temos essas coisas em comum.

Roma é a cidade das colinas e a cidadela dos papas não fugiria à regra. O Vaticano fica no alto da Colina do Vaticano, quase às margens do rio Tibre. Rodeando a Praça de São Pedro, local religioso mais visitado no Ocidente, estão a Basílica de São Pedro (ela hospeda a Pietá, de Michelangelo) e os Museus Vaticanos.

A joia da coroa romana se encontra em uma das suas alas: a Capela Sistina, a mais espetacular obra-de-arte do mundo, formada por um conjunto de afrescos de Michelangelo. Não há cristão ─ ou mesmo não-cristão ─ que resista a tanta beleza. Além disso, é o local onde os cardeais se reúnem para eleger um novo Papa. Religião e arte, ambos caminhos que levam a transcendência reunidos em um mesmo local. Você pode escolher a forma que melhor lhe convença para elevar sua alma ao Sublime.

Os afrescos no teto apresentam uma emblemática sequência de painéis, como A criação de Eva e A criação de Adão (Deus barbudo apontando o dedo para Adão, dando-lhe a vida), a mais popular imagem da arte ocidental.

Seja qual for a Roma, se a dos romanos, dos italianos ou dos Papas, ela é inesquecível. Duvidas? Tire a prova.

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